[Imagem de capa: Reconstrução do Cotylorhynchus em vídeo, por Sergey Krasovskiy.]

Amniota é o grupo de tetrápodes (vertebrados de quatro patas) formado por animais cujos embriões são cercados por uma membrana amniótica durante seu desenvolvimento. Dentro de amniota, temos dois grupos principais: os Diapsida e os Synapsida. Diapsida é o grupo que inclui répteis e aves, enquanto Synapsida inclui os mamíferos e seus ancestrais mais próximos.

Nem todo sinapsídeo, porém, se parecia exatamente com os mamíferos atuais. Na verdade, se você olhasse para alguns dos primeiros sinapsídeos, você acharia eles muito mais parecidos com répteis bem esquisitos. E alguns destes sinapsídeos primitivos eram realmente bem estranhos, como é o caso daqueles da família Caseidae.

Caseidae foi uma família de sinapsídeos que habitaram a América do Norte, Europa e Ásia entre o final do período Carbonífero e final do Permiano, entre 300 e 254 milhões de anos atrás. O nome da família é baseado no Casea broilii, um pequeno animal descoberto no estado do Texas, EUA, e descrito em 1910.

Uma das características mais curiosas desse grupo de animais é seu formato corporal. Caseídeos, no geral, eram animais parrudos, com troncos largos em forma de barril, membros curtos e grossos, caudas compridas e cabecinhas ridiculamente pequenas em relação ao corpo. Talvez um dos exemplos mais famosos entre eles seja o Cotylorhynchus, um animal que habitou a América do Norte entre 279 e 272 milhões de anos atrás, durante o Permiano.

Fóssil de Cotylorhynchus romeri. Foto por Ryan Somma, via Wikimedia Commons.

Estes animais também possuíam uma abertura no topo do crânio chamado de “olho parietal” ou “olho pineal”, um órgão fotoreceptivo ligado à glândula pineal do cérebro e que hoje é encontrada em répteis e anfíbios. Isso indica que essa estrutura já estava presente nos ancestrais dos tetrápodes, mas por algum motivo se perdeu na linhagem que daria origem aos mamíferos. Análises da cavidade torácica de caseídeos sugerem que estes animais provavelmente possuíam um diafragma, um órgão que ajuda na respiração dos mamíferos, apesar de possivelmente ter sido bem menos eficiente do que o dos mamíferos modernos.

Os caseídeos foram alguns dos mais antigos tetrápodes herbívoros, além de alguns dos primeiros vertebrados terrestres a ficarem gigantes. O Cotylorhynchus hancocki, por exemplo, podia medir até 6 metros de comprimento, sendo o maior caseídeo conhecido até agora!

No registro fóssil, o Eocasea martini, descrito em 2014, é um dos mais antigos caseídos conhecidos, datando do final do Carbonífero, por volta de 300 milhões de anos atrás. Era, porém, bem diferente dos “caseídeos clássicos”, com um corpo com dimensões mais proporcionais, que lembrava bastante o de um pequeno lagarto. Além disso, diferente de outros caseídeos, o Eocasea tinha dentes mais adaptados a uma alimentação carnívora do que seus parentes herbívoros que viriam depois dele.

Apesar de serem um dos primeiros tetápodes terrestres de grande porte, alguns caseídeos parecem ter desenvolvido adaptações para uma vida semiaquática, como é o caso do recém-descrito Lalieudorhynchus gandi (sobre o qual, temos um vídeo no canal do YouTube). Descoberto na França, esse animal apresenta ossos com características que indicam uma adaptação para mergulho. Ele, porém, não seria um dador, mas provavelmente se comportaria como um hipopótamo, caminhando no fundo de lagos e rios.

Dois Lalieudorhynchus nadando. Arte por Frederik Spindler.

Apesar da aparência engraçada, talvez até ridícula para nossos parâmetros humanos, os caseídeos representam uma importante conquista na história evolutiva dos tetrápodes terrestres.

Fontes:

Werneburg R., Spindler F. ., Falconnet J. ., Steyer J.-S., Vianey-Liaud M., Schneider J.-W., 2022. A New caseid Synapsid from the Permian (Guadalupian) of the Lodève basin (Occitanie, France).

Reisz RR, Fröbisch J. The oldest caseid synapsid from the Late Pennsylvanian of Kansas, and the evolution of herbivory in terrestrial vertebrates. PLoS One. 2014 Apr 16;9(4):e94518. doi: 10.1371/journal.pone.0094518. PMID: 24739998; PMCID: PMC3989228.

Lambertz, M.; Shelton, C.D.; Spindler, F.; Perry, S.F. (2016). “A caseian point for the evolution of a diaphragm homologue among the earliest synapsids”. Annals of the New York Academy of Sciences1385 (1): 3–20. doi:10.1111/nyas.13264. PMID 27859325.

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